Procurador assina denúncia, pede impeachment de Danilo Rezende e amplia pressão política em Três Marias
Relatório da CPI foi aprovado pela Câmara, denúncia avança no Legislativo e afastamento judicial amplia crise política no município.

A crise política em Três Marias ganhou novos capítulos e aumentou a pressão sobre o prefeito afastado Danilo Barbosa Rezende. O ex-Procurador-Geral do Município, Bruno Rafael Souza Nascimento, protocolou na Câmara Municipal uma denúncia pedindo a abertura de processo de impeachment contra o chefe do Executivo.
O pedido foi elaborado com base em fatos apurados durante os trabalhos de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instaurada após denúncias apresentadas pelo próprio ex-procurador.
O caso começou a ganhar força após Bruno Nascimento deixar o cargo na Procuradoria-Geral do Município e encaminhar ao Legislativo um documento relatando uma série de fatos e questionamentos envolvendo atos administrativos da gestão municipal.
Durante sessão pública, o conteúdo foi apresentado aos parlamentares e passou pela leitura em plenário. A abertura da investigação parlamentar recebeu aprovação unânime dos vereadores presentes.
As denúncias reuniram diferentes pontos considerados centrais durante a investigação. Entre eles apareceram questionamentos relacionados a possíveis irregularidades administrativas, suspeitas envolvendo nomeações, alegações sobre contratos públicos, além de apontamentos ligados à utilização de recursos e procedimentos administrativos da gestão municipal.
Com a instalação da CPI, vereadores passaram a realizar oitivas, reunir documentos, solicitar informações oficiais e aprofundar a análise dos fatos apresentados. Após a conclusão dos trabalhos, a comissão elaborou relatório final, posteriormente levado ao plenário da Câmara.
Paralelamente aos trabalhos do Legislativo, a situação ganhou novos desdobramentos na esfera judicial.
Um dia após a deflagração da Operação Hipócrates, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou o afastamento cautelar de Danilo Barbosa Rezende do cargo de prefeito, atendendo pedido apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais.
A decisão também proibiu o prefeito afastado de acessar dependências da Prefeitura Municipal durante o período determinado pela Justiça.
Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público, a operação apura possíveis crimes relacionados a fraude em licitação, corrupção e lavagem de capitais. Entre os focos das apurações está um contrato firmado com a cooperativa Viacoop.
O afastamento ocorreu como medida cautelar dentro das investigações em andamento e não representa julgamento definitivo sobre os fatos apurados.
Agora, com a denúncia protocolada pelo ex-procurador, o caso entra em uma nova fase política. Após o recebimento pela Câmara Municipal, poderá ser formada uma Comissão Processante, seguindo os procedimentos previstos pelo Decreto-Lei nº 201/1967.
Caso a comissão seja instalada, Danilo Rezende terá prazo de dez dias para apresentar defesa prévia. Encerrada essa etapa, o processo poderá seguir para votação em plenário.
Para uma eventual cassação do mandato, a legislação exige aprovação de dois terços dos vereadores.
O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.




