Política

Miquéias Figueredo vence a suplementar e assume a Prefeitura de Bonito de Minas

O republicano, que já comandava a cidade interinamente, conquistou 59,9% dos votos no domingo (21). O novo pleito reparou a anulação da eleição de 2024 — e o prefeito eleito responde a uma investigação da Polícia Federal por suspeita de crimes eleitorais.

Miquéias Mota Figueredo (Republicanos) venceu a eleição suplementar de Bonito de Minas, no Norte do estado, e vai comandar a cidade até o fim de 2028. No domingo (21), o presidente da Câmara Municipal reuniu 3.658 votos, o equivalente a 59,9% dos válidos, e derrotou João Neto dos Santos (Podemos), que somou 2.449 votos (40,1%), segundo a apuração do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).

Joelma de Magalhães (PDT) foi eleita vice na chapa, que disputou o cargo pela coligação “União e Experiência para Fazer a Diferença”. A adversária trazia Cristiana Araújo (União Brasil) como candidata a vice. Compareceram às urnas 6.307 dos 8.387 eleitores aptos — índice de 75,2%. A Justiça Eleitoral diplomará os eleitos até 13 de julho.

O município voltou às urnas porque a eleição de 2024 acabou anulada. Naquele ano, o mais votado, Dílson Barbosa Santana, o Dílson da Senhorinha (União), venceu com 51,72% dos votos, mas não chegou a tomar posse. O TRE-MG indeferiu o registro do candidato por causa de uma condenação por abuso de poder político cometido no pleito de 2020, que o tornou inelegível por oito anos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a decisão em fevereiro deste ano e selou a anulação dos votos da chapa.

Sem prefeito empossado, Bonito de Minas passou a ser governada interinamente desde janeiro de 2025. Coube a Miquéias, recém-eleito vereador e escolhido para presidir a Câmara, assumir o Executivo. Assistente social nascido em Januária, ele agora troca a cadeira provisória pelo mandato conquistado nas urnas.

A vitória, porém, não encerra a tensão política na cidade. Em 15 de maio, ainda na condição de prefeito interino, Miquéias teve o celular e R$ 55 mil em dinheiro apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Veredas Gerais. A investigação apura suspeitas de crimes eleitorais ligados à campanha de 2024.

Segundo a apuração noticiada pelo jornal O Tempo, o republicano figura como suspeito de captação ilícita de votos e de transporte irregular de eleitores. A linha de investigação sustenta que ele teria oferecido material de construção em troca dos votos de cinco integrantes de uma mesma família da zona rural e que teria contratado um motorista para levar eleitores às urnas, com orientação de rotas capazes de driblar a fiscalização. A PF também investiga se Miquéias ameaçou a pessoa que comunicou as suspeitas às autoridades.

Vale ressaltar que essas imputações permanecem no campo da suspeita. Não há condenação contra Miquéias, que responde à investigação sob a garantia constitucional da presunção de inocência. O inquérito, por si só, não barra candidaturas, razão pela qual ele pôde concorrer e vencer a suplementar. Procurado pela reportagem de O Tempo à época da operação, o prefeito não se manifestou sobre as acusações.

Com a diplomação marcada para julho, Miquéias Figueredo encerra um ciclo de quase dois anos de interinidade no comando de Bonito de Minas. O desfecho da Operação Veredas Gerais, contudo, ainda pode redesenhar o cenário caso o Ministério Público Eleitoral ofereça denúncia ou ajuíze ação capaz de alcançar o novo mandato.

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