Política

Prefeito de Três Marias Acumula Ação por Improbidade, 40 Procedimentos no MPMG, CPI na Câmara e Risco de Cassação — e Ainda Assim Resolve Comentar a Gestão dos Outros

Danilo Barbosa Rezende (Republicanos), que governa o município há pouco mais de um ano, enfrenta Ação Civil Pública por descumprir decisão judicial sobre concurso público, investigação por sobrepreço de até 300% em contrato de show de réveillon, denúncias de nepotismo com familiar acumulando três cargos e mais de R$ 12 mil mensais em entidades bancadas pela prefeitura, suspeita de uso de "laranja" em contrato de motonivelamento, dívida de quase R$ 3 milhões com a Previdência e corte de benefícios sociais de servidores — tudo isso enquanto publicava em rede social críticas à gestão de outro governo

O prefeito de Três Marias entrou nas redes sociais para criticar um governo alheio. Escreveu que quem promete tem de entregar, que “sobra maldade e falta compromisso com o povo” e que determinada gestão havia “entrado em parafuso faz tempo”. O problema é que, enquanto digitava essas palavras, o seu próprio mandato sangrava por todas as frentes.

Cerca de 40 procedimentos extrajudiciais tramitam no Ministério Público de Minas Gerais envolvendo a administração municipal de Três Marias, segundo informações obtidas junto à assessoria do órgão. [O TEMPO](https://www.otempo.com.br/politica/aparte/2026/1/21/ex-procurador-geral-pede-cpi-e-cassacao-de-mandato-do-prefeito-de-tres-marias-na-camara-municipal) Não é exagero de oposição. É o número oficial confirmado pelo próprio MPMG.

Em dezembro de 2025, o Ministério Público ajuizou Ação Civil Pública contra o prefeito por ato de improbidade administrativa. A acusação é a de que, mesmo após diversas intimações, um acordo firmado em audiência e a confirmação da decisão pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Danilo manteve centenas de pessoas com vínculos precários na administração pública, realizou novas contratações ilegais e deixou de nomear candidatos aprovados em concurso público. [mpmg](https://www.mpmg.mp.br/portal/menu/comunicacao/noticias/prefeito-de-tres-marias-e-acusado-pelo-mpmg-de-improbidade-administrativa-por-nao-cumprir-decisao-judicial.shtml) O promotor responsável pelo caso foi direto: a conduta do prefeito não representa um ato isolado de má gestão, mas um padrão deliberado de desobediência a uma decisão judicial transitada em julgado.

No mesmo mês, o MPMG mirou outro contrato. O Ministério Público identificou dívida de quase R$ 3 milhões do Executivo com o Regime Próprio de Previdência Social, em paralelo à inadimplência com fornecedores — e ainda assim a prefeitura gastou R$ 1,7 milhão em shows e infraestrutura para os eventos Expomaria e Encontro de Motociclistas, realizados em julho e agosto. [O TEMPO](https://www.otempo.com.br/politica/2025/12/12/reveillon-mpmg-quer-barrar-show-de-r-100-mil-em-cidade-mineira-por-suspeita-de-sobrepreco) Nesse mesmo contexto de corte de benefícios e dívida previdenciária, o MPMG pediu a anulação do contrato de R$ 100 mil para um show no réveillon, apontando superfaturamento de 53% a 300% em relação a valores pagos pela mesma banda em outros municípios no mesmo período. [MPMG](https://www.mpmg.mp.br/portal/menu/comunicacao/noticias/mpmg-pede-anulacao-de-contrato-de-r-100-mil-para-show-musical-no-reveillon-em-tres-marias.shtml)

O cenário piora quando se examina a estrutura interna da gestão. A denúncia protocolada na Câmara Municipal por Bruno Rafael Souza Nascimento, ex-procurador-geral do município — exonerado pelo próprio prefeito uma semana antes —, aponta que um familiar direto de Danilo acumula três cargos públicos, sendo um na APAE e dois na Fundação Sálua Daura de Arte e Cultura (FADA), somando salários superiores a R$ 12 mil mensais, o que configuraria nepotismo, por se tratarem de Organizações da Sociedade Civil que recebem recursos da prefeitura. [otempo](https://www.otempo.com.br/politica/aparte/2026/1/21/ex-procurador-geral-pede-cpi-e-cassacao-de-mandato-do-prefeito-de-tres-marias-na-camara-municipal)

Ademais, a denúncia aponta o suposto uso de um laranja em empresa contratada para serviços de motonivelamento: um ex-servidor comissionado do município e ex-funcionário de empresa ligada ao prefeito teria sido utilizado como proprietário formal da contratada, cujo verdadeiro dono seria, na prática, o próprio Danilo. [O TEMPO](https://www.otempo.com.br/politica/aparte/2026/1/21/ex-procurador-geral-pede-cpi-e-cassacao-de-mandato-do-prefeito-de-tres-marias-na-camara-municipal)

A representação ao legislativo municipal se baseia em quatro eixos: suspeita de nepotismo, uso de empresas em nome de “laranja”, uso indevido de verbas de publicidade institucional e outras irregularidades administrativas. Com base nela, o ex-procurador pede a instauração de CPI e a abertura de processo de cassação do mandato. [O TEMPO](https://www.otempo.com.br/politica/aparte/2026/1/21/ex-procurador-geral-pede-cpi-e-cassacao-de-mandato-do-prefeito-de-tres-marias-na-camara-municipal)

Diante do exposto, o comentário publicado nas redes sociais pelo prefeito de Três Marias não resiste ao confronto com a realidade que ele próprio produz. Quarenta procedimentos no Ministério Público, Ação Civil Pública por improbidade ajuizada pelo próprio MPMG, contrato de show com sobrepreço de até 300%, suspeita de nepotismo com acúmulo de cargos em entidades públicas, denúncia de uso de laranja em licitação e pedido formal de CPI e cassação — esse é o panorama de quem decidiu opinar sobre o compromisso alheio com o povo.

Três Marias assiste. E o Ministério Público continua investigando.

 

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