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Política

Quarenta investigações no MPMG e uma CPI na Câmara colocam o prefeito Danilo Barbosa Rezende sob pressão institucional

Prefeito de Três Marias passa a ser investigado pelo Legislativo enquanto Ministério Público mantém dezenas de procedimentos sobre a gestão municipal

A gestão do prefeito Danilo Barbosa Rezende (Republicanos), de Três Marias, entrou oficialmente no radar dos órgãos de controle. A Câmara Municipal instalou, nesta segunda-feira (27), uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias contra a administração, em um cenário que já era marcado pela existência de cerca de 40 procedimentos extrajudiciais em tramitação no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Na prática, o que antes circulava nos bastidores da política local agora passa a ser tratado à luz do dia, sob ritos formais e com possibilidade de convocação de testemunhas, requisição de documentos e análise técnica de atos administrativos. A CPI nasce em um ambiente de desgaste institucional, no qual a administração municipal se vê pressionada por questionamentos simultâneos no Legislativo e no Ministério Público.

O pedido de investigação partiu do ex-procurador-geral do município, Bruno Rafael Souza Nascimento, que ocupava cargo de confiança na administração até poucos dias antes da denúncia. No requerimento apresentado à Câmara, ele aponta indícios de atos de improbidade administrativa e possíveis crimes de responsabilidade, anexando documentos que, segundo afirma, justificam a abertura do procedimento investigativo.

Entre os principais pontos levantados estão suspeitas de nepotismo, envolvendo familiares do prefeito e de secretários municipais em entidades que recebem recursos públicos; a contratação de serviços por meio de empresa supostamente registrada em nome de terceiro, e o uso direcionado de verbas de publicidade institucional, que teriam beneficiado veículos alinhados politicamente à gestão.

Paralelamente à CPI, o Ministério Público de Minas Gerais acompanha a administração municipal por meio de dezenas de procedimentos extrajudiciais que analisam temas sensíveis como licitações, contratos, contratações de pessoal, repasses financeiros, prestação de serviços públicos e respeito aos princípios básicos da administração pública. A Câmara informou que o órgão ministerial deverá ser formalmente acionado durante as investigações.

Com a admissibilidade da denúncia, a comissão processante foi formada. A presidência ficou com a vereadora Luciana Marques (Avante), a relatoria com Miltinho Mendes (PP) e a terceira vaga com Diego Professor (PSDB). Os trabalhos já começaram, e os próximos passos dependem da definição da assessoria jurídica que acompanhará o caso.

Danilo Barbosa Rezende, médico de 34 anos e natural de Patrocínio, foi eleito prefeito de Três Marias nas eleições de 2024 com 7.987 votos, o equivalente a 42,93% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença apertada em relação à adversária Ivelony (União Brasil), que obteve 41%, tornou o cenário político local ainda mais sensível desde o início do mandato.

Em nota divulgada à época das denúncias, o prefeito afirmou ter recebido as acusações com surpresa e destacou que o ex-procurador-geral foi responsável por emitir os pareceres jurídicos que embasaram atos da administração enquanto ocupava o cargo. Disse ainda confiar na Justiça e na apuração dos fatos.

Com a CPI em andamento e o acompanhamento do Ministério Público, a gestão municipal passa a viver um momento decisivo. O desfecho das investigações deverá indicar se as denúncias ficarão restritas ao campo político ou se avançarão para consequências administrativas e judiciais — um teste de resistência institucional para o governo e de vigilância para os órgãos de controle.

Imagem reprodução Instagram.

 

 

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