Procurador do Município fala à Difusora sobre investigação das 10 ambulâncias em Patrocínio
Em entrevista ao repórter Márcio Luiz, o Didi, procurador-geral Regis Nunes confirma envio de documentos ao Ministério Público e cita indícios de irregularidades na compra das ambulâncias durante a gestão do ex-prefeito Deiró Marra.

A compra de 10 ambulâncias realizada pela Prefeitura de Patrocínio em 2023 passou oficialmente a ser alvo de investigação conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais. O caso é acompanhado pela Procuradoria Especializada em Belo Horizonte e já motivou a abertura de procedimento administrativo interno pela atual administração municipal.
As informações foram confirmadas pelo procurador-geral do Município, doutor Regis Nunes, durante entrevista concedida ao repórter Márcio Luiz, o Didi, na Difusora 95.
Segundo o procurador, a atual gestão tomou conhecimento do procedimento investigatório criminal após receber solicitação oficial do Ministério Público para apresentação de documentos relacionados ao processo licitatório e à execução do contrato.
“A Procuradoria Geral do Município instaurou procedimento administrativo para levantar toda a documentação solicitada pelo Ministério Público”, afirmou.
De acordo com Regis Nunes, a análise preliminar identificou pontos considerados sensíveis e que agora serão aprofundados pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Entre os fatos apontados estão possíveis indícios de direcionamento do processo licitatório, além de inconsistências envolvendo a entrega das ambulâncias adquiridas pelo Município.
Segundo ele, os veículos foram comprados como sendo ano 2023 e classificados como zero quilômetro. Entretanto, parte da frota entregue apresentava fabricação em 2022.
Outro aspecto considerado relevante envolve a cronologia dos pagamentos e da adaptação dos veículos. Conforme relatado pelo procurador, as 10 ambulâncias foram liquidadas e pagas pela Prefeitura ainda em fevereiro de 2023, porém os serviços de montagem e adaptação para funcionamento como ambulância teriam sido concluídos apenas entre abril e maio do mesmo ano.
A divergência temporal levantou suspeitas sobre eventual pagamento antecipado antes da efetiva entrega do objeto contratado.
Regis Nunes informou ainda que toda a documentação reunida pela administração municipal foi encaminhada ao Ministério Público para análise técnica e eventual responsabilização dos envolvidos, caso sejam confirmadas irregularidades.
“O município está à disposição para prestar todas as informações necessárias às autoridades competentes”, declarou.
O procurador também revelou que o Ministério Público pediu a ampliação do prazo investigatório por mais 90 dias, período em que deverão ser realizadas oitivas de testemunhas e novas diligências.
Além disso, existe requerimento para análise da possibilidade de abertura de ação criminal envolvendo o ex-prefeito Deiró Moreira Marra.
Apesar da repercussão do caso, Regis Nunes explicou que o procedimento ainda tramita em fase de investigação criminal e não está sob segredo de justiça.
“A população pode ficar tranquila que qualquer irregularidade, seja de gestões anteriores ou da atual, será devidamente apurada e encaminhada às autoridades competentes”, concluiu.



