Luiz Tito cutuca Tadeu Leite e bastidores veem reeleição de Maria Clara como prova de fogo
Coluna em tom irônico reacende debate sobre prioridades políticas e analistas avaliam que deputada terá de reconstruir base para enfrentar uma eleição bem mais dura
A coluna de Luiz Tito no Bem Minas jogou gasolina no já aquecido clima dos bastidores mineiros. Com metáforas e recados indiretos, o colunista lembrou que cavalo arreado não passa toda hora — e que, na política, quem hesita pode acabar vendo a oportunidade ir embora no trote.
A leitura feita em rodas políticas foi rápida: o comentário atinge o entorno do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Tadeu Leite (MDB). E, de quebra, reacende o debate sobre a situação eleitoral da deputada Maria Clara Marra, sua noiva, diante da próxima disputa.
Eleita em 2022 com cerca de 46 mil votos, Maria Clara teve em Patrocínio sua grande fortaleza eleitoral, somando aproximadamente 27,1 mil votos no município. Fora da cidade, vieram cerca de 19 mil votos, o que já indicava a dependência relevante da base local para fechar a conta.
O cenário político, no entanto, mudou. Quando se elegeu, a deputada contava com apoio político do pai, então prefeito da cidade, e com uma rede de prefeitos aliados na região que ajudaram a impulsionar sua votação. Depois das eleições municipais de 2024, parte desse grupo deixou o poder e o tabuleiro regional se reorganizou. Em política, apoio que parecia permanente às vezes tem prazo de validade — e nem sempre avisa quando vence.
Hoje, em conversas reservadas, a avaliação entre lideranças e observadores é de que repetir o desempenho de 2022 será tarefa bem mais complicada. Há quem diga que, para voltar ao patamar anterior, será preciso mais do que café forte e agenda cheia: será necessária uma reconstrução política consistente na cidade e fora dela.
Nos bastidores, a projeção que circula é de que a votação em Patrocínio tende a cair se não houver recomposição de base. Analistas locais comentam, em tom meio sério e meio irônico, que alcançar novamente números próximos aos de 2022 já seria uma vitória política considerável. A reeleição, portanto, exigirá esforço dobrado.
Fora da cidade, o desafio é ainda mais espinhoso. Dirigentes partidários avaliam que capitanear votos em outros municípios será missão trabalhosa, exigindo articulação intensa e presença constante. Como resumiu um observador experiente: voto fora de casa não nasce em árvore — precisa ser plantado, regado e visitado.
Caso dispute a próxima eleição pelo PSDB, a conta tende a apertar. Em Minas, deputados estaduais de partidos médios costumam precisar de algo entre 50 mil e 65 mil votos para uma reeleição confortável. Ficar na casa dos 40 mil já coloca a candidatura na zona de risco. Abaixo disso, a matemática eleitoral começa a fazer cara feia.
A coluna de Luiz Tito, com seu humor característico, acabou traduzindo um sentimento que circula longe dos holofotes: o grupo político que hoje ocupa posição central no Legislativo terá de dividir atenção entre projetos institucionais e uma eleição que promete ser das mais exigentes. E, no caso de Maria Clara, a tentativa de permanecer na Assembleia é tratada por muitos como a verdadeira prova de fogo do próximo ciclo.
Em política, dizem os mais antigos, reeleição nunca é automática. E quando o vento muda, até quem largou na frente precisa reaprender a correr.





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