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Política

Dois pesos, duas medidas: quando o PT descobre o “dinheiro público” só no município

O ataque ao show com cachê de R$ 1,6 milhão pago pela Prefeitura tenta se vender como debate sobre prioridade e responsabilidade. Não é. Trata-se de oportunismo político seletivo, praticado por quem silencia — ou relativiza — gastos muito mais elevados quando o dinheiro público serve a interesses do próprio campo ideológico.

Se a régua fosse a mesma, o escândalo do chamado “Janjapalooza” não teria sido tratado com ironia defensiva, mas com indignação proporcional. Documentos oficiais mostram que estatais como Banco do Brasil, Caixa, Petrobras e BNDES se comprometeram com aportes que chegaram a R$ 83,45 milhões ligados ao G-20 e ao festival promovido pela primeira-dama. Só o “Janjapalooza” previa R$ 28,3 milhões em despesas com passagens, hospedagens, cenografia, estrutura, equipamentos e setores administrativos.

O show de Janja custa caro aos cofres públicos

O Tribunal de Contas da União abriu investigação. Não foi narrativa de rede social, foi controle institucional. Ainda assim, o episódio foi tratado com escárnio por aliados do governo, enquanto críticos eram desqualificados. Quando questionada, a própria primeira-dama reagiu com ironia, não com explicações técnicas ou prestação de contas.

É nesse ponto que a hipocrisia se revela. Quem hoje grita contra um show municipal, autorizado dentro da legalidade, previsto em orçamento público, com impacto cultural, turístico e econômico local, é o mesmo grupo que passou pano para gastos dezenas de vezes maiores, financiados por estatais, sem retorno claro à população e sob apuração do TCU.

A pergunta correta não é se o valor “faz sentido pra você”. A pergunta honesta é: por que o dinheiro público só vira problema quando não está sob controle do PT?
Por que um evento local vira “desrespeito ao povo”, enquanto festivais milionários bancados por estatais são tratados como “relevância institucional”?

Responsabilidade fiscal não é slogan seletivo. Ou vale para todos, ou não passa de discurso vazio. Quem relativiza R$ 83 milhões não tem autoridade moral para demonizar R$ 1,6 milhão. O resto é barulho político, não defesa do contribuinte.

A Fenacafé encerrou sua edição com resultados concretos e mensuráveis para a economia do município. Ao longo de uma semana, o evento atraiu um público estimado em 140 mil pessoas e gerou uma movimentação econômica aproximada de R$ 50 milhões, considerando os gastos diretos dos visitantes e os efeitos indiretos e induzidos sobre a economia local.

A estimativa inclui consumo no comércio, na rede hoteleira, em bares, restaurantes, transporte e serviços, além da posterior circulação desses recursos por meio de fornecedores, pagamento de salários e reinvestimentos realizados dentro do próprio município. Trata-se de um impacto econômico real, distribuído e perceptível em diversos setores da cidade.

O investimento público de R$ 2,1 milhões foi direcionado à estrutura, segurança e organização do evento. Com base nessa metodologia, cada real aplicado pelo poder público gerou cerca de R$ 24 em movimentação econômica, demonstrando eficiência no uso dos recursos e alinhamento com políticas públicas de fomento ao turismo, à cultura e ao desenvolvimento econômico.

Além do retorno financeiro, a Fenacafé ampliou a visibilidade regional e nacional do município, fortaleceu sua imagem como referência no agronegócio e na cafeicultura e promoveu lazer, cultura e integração social, com benefícios que permanecem após o encerramento do evento.

O contraste com iniciativas promovidas pelo governo federal é evidente. Eventos como o chamado “Janjapalooza” consumiram dezenas de milhões de reais em recursos públicos e aportes de estatais, sem estudos transparentes que comprovem retorno econômico, geração de renda local ou impacto proporcional à sociedade. O tema, inclusive, tornou-se alvo de investigação do Tribunal de Contas da União.

A diferença não está em preferência artística ou disputa ideológica, mas na lógica do gasto público. Enquanto a Fenacafé apresenta investimento claro, impacto mensurável e retorno comprovado para a economia real, o festival ligado ao Planalto representa despesa elevada, concentrada e sem lastro econômico demonstrado.

O PT gosta de posar como defensor do “Estado forte”, mas o que entrega, ano após ano, é um Estado quebrado, inchado e mal gerido, sustentado à força pelo bolso do contribuinte. Em 2025, os rombos das estatais não são acidente nem exceção: são método. São projeto.

Os Correios, transformados novamente em cabide político, caminham para um prejuízo bilionário, acima de R$ 3 bilhões. A Infraero, esvaziada de função e mantida artificialmente viva, acumula mais de R$ 1,5 bilhão em perdas. A Valec, velha conhecida de escândalos e ineficiência, segue drenando recursos públicos sem entregar obras. Trensurb, Ceitec, Casa da Moeda, EBC — todas orbitando o mesmo padrão: gasto alto, resultado baixo, dependência total do Tesouro.

Nada disso surpreende. Sempre que o PT assume o comando, as estatais deixam de ser instrumentos de serviço público e voltam a ser ferramentas de poder, aparelhamento ideológico e distribuição de cargos. A eficiência vira detalhe. O equilíbrio financeiro vira “agenda neoliberal”. O prejuízo vira “investimento social”.

E quando a conta explode, o partido recorre ao velho truque: culpa o passado, o mercado, a imprensa, a direita, o clima, o cachorro. Nunca assume responsabilidade. Nunca explica por que empresas públicas precisam dar prejuízo eterno para provar sensibilidade social. Nunca responde por que o trabalhador precisa bancar estatais falidas enquanto falta dinheiro para saúde, segurança e infraestrutura básica.

O mais cínico é o discurso moral. O PT aponta o dedo para prefeitos, governadores e eventos locais, mas naturaliza bilhões torrados em Brasília, em estatais ineficientes, festivais ideológicos e estruturas que só servem a quem já está dentro do sistema. Para eles, gasto é problema apenas quando não controla a torneira.

Não é erro de gestão. É convicção.
Não é falha pontual. É modelo.

O PT governa como se o dinheiro público fosse infinito, como se o contribuinte fosse um caixa eletrônico silencioso e como se prejuízo fosse virtude. No fim, sobra um Estado caro, fraco e quebrado — e um partido confortável, repetindo narrativas enquanto empilha rombos.

Quem ainda acredita no “Estado eficiente do PT” não ignora os números por falta de informação. Ignora por conveniência.

Restaurante Guarita

3 Comentários

  1. É interessante sua análise política, concordo há muitas estatais que deveriam ser privatizadas, mas há um problema, como fazer os deputados votarem. Sabemos que infelizmente há essa cultura da troca de favores. Na camera de Patrocínio, todos veradores votam sem receber nada em troca ? será que não há parente ou indicados com cargos em comissão na prefeitura a troco de votos. Uma informação importante, quem mais ganha dinheiro da lei Rounet, são cantores Bolsonaristas, será que é perseguição mesmo? Você citou estado quebrado, mas quando o Brasil nao teve dívida externa, qual pais esta operando sem dívidas. Os EUA , Japão, Reino Unido,China são os países com maiores dívidas externas. Moro em Patrocínio desde que nasci, sempre teve prefeito de direita, queria que você me falasse algum progresso de Patrocínio, fora as favelas e a instalação de facções criminosas aqui. Queria que você me falasse qual investimento do Bolsonaro trouxe, , quantas casas construiu, qual deputado da direita trouxe emendas para investir na infraestrutura sem ser estradas para escoar a sua própria produção de café. Todos os governos estão sujeitos aos órgãos de controle, se está dentro das 4 linhas constituição como diz o inbrochavel, imorrivel, mito irá ocorrer o show.

  2. Verdade seja dita, complemento meu comentário, hoje nao tem liberdade para ir numa pracinha, porque está repleta de maconheiros. A polícia de Minas nao tem investimento do governo do estado, que por sinal é da direita, Romeu Zema. Salários defasados, antigos prefeitos da cidade deixaram o crime tomar conta. A cidade nao teve progresso. Ocupação desordenada, falta de deputados para trazer emendas para obras de infra, falta de investimento em saneamento básico. Eu como cidadão se pudesse escolher em que o prefeito gastaria esse dinheiro, certamente seria nesses bairros abandonados, shows são bons, mas a cidade está carente basta andar nos bairros.

  3. Esqueça o PT e me diga uma coisa:

    Você concorda que um município do tamanho de Patrocínio pague um cachê de 1.6 milhões para o Gustavo Lima?

    Você acha isso razoável?

    Considera que o dinheiro público está sendo bem empregado?

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