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Denúncia à CPI de Três Marias aponta empresa aberta um dia antes de contrato com prefeitura e pagamentos por serviços não prestados

Ex-procurador-geral protocola acusação formal de fraude licitatória envolvendo locação de motoniveladoras; documentos indicam que secretário de Agricultura — pai do prefeito — aprovou equipamento que a secretaria passou a contratar

CPI · Exclusivo

Improbidade Administrativa · CPI Municipal

Redação · Três Marias

22 mar. 2026

Base documental desta reportagem

As informações publicadas têm origem em documentos protocolados perante a Câmara Municipal de Três Marias, depoimentos prestados em sessões públicas da CPI e no procedimento preparatório nº 02.16.0058.0295130.2025-20, instaurado pelo Ministério Público de Minas Gerais em 11 de dezembro de 2025. Acusações reproduzidas refletem o teor das denúncias formais e não representam juízo definitivo de culpa.

A oitava sessão de depoimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal de Três Marias produziu, segundo a denúncia formalizada pelo ex-procurador-geral Bruno, um conjunto de indícios que apontam para esquema estruturado de fraude em contratos de locação de máquinas motoniveladoras.

A comissão analisa agora se encaminha pedido de afastamento imediato contra o prefeito ou aguarda o avanço das investigações do Ministério Público, que já instaurou procedimento preparatório sobre o caso.

O ex-procurador-geral, durante o depoimento, apresentou à CPI documentação que identifica a empresa LCM Máquinas Ltda, CNPJ 60.532.880/0001-79, como pessoa jurídica de fachada. Segundo os documentos juntados à comissão, a abertura formal da LCM ocorreu em 24 de abril de 2025.

No dia imediatamente seguinte — 25 de abril — foi assinado o segundo termo aditivo ao contrato administrativo de prestação de serviços nº 02/2025, firmado pela cooperativa VIACOOP, que oficializou a locação de motoniveladora junto à Secretaria Municipal de Agricultura.

O sócio registrado na LCM é Lucas Soares Magalhães, identificado na denúncia como ex-operador de máquinas pesadas que, segundo os documentos apresentados, trabalhou diretamente para o prefeito ou para empresas a ele vinculadas.

Entre 13 de janeiro e 5 de março de 2025, de acordo com os autos, Lucas ocupou cargo comissionado ligado à Secretaria de Agricultura — cujo titular é o pai do prefeito, Eustáquio Reinaldo Rezende. A denúncia afirma que Lucas não teria renda própria suficiente para adquirir uma motoniveladora avaliada acima de R$ 400.000,00, o que sustentaria a tese de que atuaria como intermediário.

“Exatamente 01 (um) dia após a criação da empresa de fachada, foi confeccionado e assinado pelo Prefeito denunciado o 2º termo aditivo ao contrato administrativo de prestação de serviços nº 02/2025”

Trecho da denúncia formalizada pelo ex-procurador-geral Bruno à Câmara Municipal

A denúncia sustenta ainda que o equipamento foi adquirido pelo prefeito — por meio do suposto intermediário — em dezembro de 2024, antes mesmo da posse. Segundo os documentos apresentados à comissão, a máquina não possuía nota fiscal que respaldasse legalmente sua aquisição.

Vídeo exibido durante as investigações, conforme relatado pelos depoentes, mostra o secretário de Agricultura testando e aprovando o equipamento ao lado de Lucas Soares Magalhães — sendo que a secretaria comandada pelo pai do prefeito foi a mesma que passou a contratar o equipamento na sequência.

Detalhe: Durante a oitava, Lucas Soares disse que adquiriu a máquina como sucata e pagou por ela R$ 60.000,000. Porém, pelo vídeo abaixo, a máquina foi entregue, testada e aprovada.

 

Outra curiosidade que chama atenção é que os perfil oficial do prefeito é seguidor da empresa que vendeu a referida “Sucata” a Lucas Soares.

No vídeo fala: “Eles compraram” uma motoniveladora Caterpilla.

https://www.instagram.com/reel/DDP5ABNxNc7/?igsh=cDN1bzZydndkYTVq

https://www.instagram.com/reel/DC748uQRkkD/?igsh=NHFvZ2x5MDg5eWFs

Para formalizar a locação de uma segunda motoniveladora, a prefeitura abriu o Pregão Eletrônico nº 088/2025 (Processo Licitatório nº 164/2025). O certame foi anulado em 15 de setembro de 2025, após recurso apresentado por uma das empresas participantes.

Um segundo processo, Pregão nº 104/2025 (Processo Licitatório nº 200/2025), teve sessão iniciada em 4 de novembro de 2025. Segundo os documentos juntados à CPI, a proposta da LCM Máquinas — que abriu em R$ 306,50 por hora e foi negociada para R$ 228,50 — foi declarada vencedora.

Em 28 de novembro de 2025, conforme narra a denúncia, a prefeitura autorizou, empenhou e pagou à LCM o valor de R$ 41.364,00. O ex-procurador afirmou à CPI que, naquele período, ao menos uma das máquinas permanecia parada na propriedade rural conhecida como “Fazenda do Nonato”, na localidade do Brejo, zona rural do município — sem ter prestado serviços ao município.

O Ministério Público de Minas Gerais instaurou, em 11 de dezembro de 2025, o procedimento preparatório nº 02.16.0058.0295130.2025-20 para investigar os fatos narrados. A denúncia protocolada na Câmara invoca o Decreto-Lei nº 201/67 e pede abertura de processo de impeachment, com possível cassação do mandato do prefeito.

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