As manobras de sobrevivência do clã Marra
Entre o impedimento jurídico de Deiró e o isolamento de Maria Clara, oposição tenta criar fato político para mascarar fragilidade nas bases
O xadrez político em Patrocínio ganhou contornos de peça teatral nos últimos dias. Em um movimento que mistura ousadia e, para muitos, um nítido sinal de desorientação, o grupo liderado por Deiró Marra tenta ventilar uma rearrumação de peças para o pleito de 2026. A tese, que ecoa nos bastidores como um balão de ensaio, coloca a deputada Maria Clara Marra na rota da Câmara Federal, enquanto o pai assumiria a dianteira na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa.
A estratégia, contudo, ignora o peso dos fatos e das certidões judiciais. Deiró Marra carrega o fardo de uma inelegibilidade de oito anos, barreira intransponível que torna qualquer pretensão eleitoral pouco mais que um exercício de retórica. O que se vê não é um planejamento de expansão, mas um “salve-se quem puder” político. A tentativa de forçar uma candidatura juridicamente inviável serve apenas para tentar manter unido um grupo que, desde a derrota nas últimas eleições, assiste ao próprio derretimento nas bases de Patrocínio e em cidades vizinhas, e até Três Marias, onde esperava-se uma grande quantidade de votos devido as emendas e parceria com o prefeito da cidade.
A verdade crua que as ruas e os indicadores sugerem é o enfraquecimento acentuado de Maria Clara Marra. Sem o suporte da máquina administrativa municipal e enfrentando uma rejeição crescente na região, a parlamentar parece buscar em Brasília uma saída honrosa para não encarar um embate estadual que se projeta desastroso. A ideia de que ela enfrentaria apenas Greyce Elias na disputa federal é de uma ingenuidade atroz; ignora que a política, como a natureza, abomina o vácuo — e esse espaço já foi ocupado.
Nesse cenário, o que a oposição rotula como “estratégia” é lido pelo núcleo do governo como puro desespero. O grupo derrotado tenta “atirar para todos os lados”, inclusive sugerindo que o deputado Tadeuzinho abriria mão da própria reeleição para se lançar ao Senado — uma aposta de altíssimo risco para quem já caminha em terreno movediço.
Enquanto a oposição se perde em conjecturas e devaneios jurídicos, o governo atual trabalha com a solidez da das alianças. Gustavo Brasileiro já traçou o destino de seu capital político: o apoio é integral à dobradinha formada por Greyce Elias, para Federal, e Pedro Lucas (Pedrinho do Bom Negócio), para Estadual.
Ao contrário do cenário incerto do clã Marra, Pedrinho surge com a chancela de quem tem o respaldo da prefeitura e a musculatura de Greyce Elias, que hoje detém as chaves do apoio governamental. A tentativa da oposição de criar narrativas alternativas não passa de uma cortina de fumaça para esconder a realidade: o isolamento político e a falta de nomes viáveis. Em política, quando o chão falta, o primeiro reflexo é o barulho. E, em Patrocínio, o barulho da oposição nunca soou tão vazio.






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