Câmara de Patrocínio
Política

A turma da Maria chegou na festa — mas a festa não era deles, a obra não era deles e o povo não esqueceu

Sem destinar um centavo sequer a Patrocínio, aliados de Maria Clara Marra invadem vistoria do governador em UBS's construídas pela prefeitura; Quirino convoca manifestação contra o governador numa quinta e aparece sorrindo ao lado dele na sexta — na opinião de quem acompanhou, seria cômico se não fosse trágico

Bateu o desespero — ao menos é o que parece para quem acompanhou a cena.

O governador Matheus Simões pisou em Patrocínio para vistoriar as novas Unidades Básicas de Saúde dos bairros Nações e Serra Negra — obras construídas pela prefeitura municipal, diga-se, sem que Maria Clara Marra tenha contribuído com um real sequer, segundo levantamento das emendas destinadas ao município — e de repente, como num passe de mágica eleitoral, apareceu a tropa completa. TIM na frente, abrindo caminho com a autoridade de quem não foi convidado mas chegou primeiro. Valtinho do Jandaia, Quirino, Gordin do Lanche e Takão do Prisma logo atrás, cada um com aquela cara de quem perdeu o convite mas encontrou o endereço. Alguns outros figurantes completaram o elenco. Chegaram, ocuparam espaço, e posaram para o momento com a desenvoltura de quem tem alguma coisa a ver com aquilo.

Na avaliação de lideranças locais que acompanharam a movimentação, não tinham. Absolutamente nada.

As UBS’s são obras do município. Da prefeitura de Patrocínio. Do prefeito Gustavo Brasileiro. Do dinheiro negociado e executado pela gestão municipal — sem emenda de Maria Clara, sem ofício de Maria Clara, sem um único telefonema de Maria Clara nos momentos em que a negociação era dura e as câmeras estavam desligadas. A deputada que ocupa uma cadeira na Assembleia Legislativa com o dever de representar Patrocínio, na visão de críticos locais, passou o mandato inteiro tratando a cidade como dado de nascimento no currículo: aparece bonito no papel, não aparece em nenhuma obra, recurso ou entrega concreta.

Mas câmera ligada e governador presente? Aí a tropa aparece inteira, como se tivesse ajudado a colocar o primeiro tijolo. Ao menos foi o que muitos moradores que estavam no local relataram ter observado.

O prêmio de roteiro do dia, na opinião de quem acompanhou, ficou reservado para Quirino.

Na quinta-feira, o aliado de Maria Clara gravou vídeo convocando manifestação contra a vinda do governador Matheus Simões a Patrocínio. Discurso inflamado. Postura de resistência. Aquela energia de quem não vai deixar barato. O vídeo circulou e foi registrado por moradores da cidade.

Menos de 24 horas depois, Quirino estava lá. Na fila de espera do governador. Ao lado da turma da Maria. Com a mesma naturalidade de quem, aparentemente, nunca gravou vídeo nenhum. A virada foi tão rápida que gerou comentários irônicos em grupos de WhatsApp e redes sociais da cidade.

Na opinião de quem acompanhou o episódio, seria cômico se não fosse trágico. Seria trágico se não fosse tão cômico. O vídeo, registrado por moradores antes de qualquer eventual exclusão, segue circulando.

O que se observa no campo eleitoral — e aqui se trata de análise política, não de fato consumado — é que o placar em Patrocínio para Maria Clara Marra já era desafiador antes dessa cena toda. Superar 10 mil votos na cidade, num total estimado entre 35 mil e 40 mil para garantir a reeleição, é uma meta que analistas políticos locais consideram difícil diante do histórico do grupo. O sobrenome Marra carrega uma memória que, na avaliação de lideranças ouvidas por esta reportagem, nenhuma aparição oportunista apaga.

A aposta, segundo se observa na movimentação política local, recai sobre Tadeuzinho, noivo da deputada, como peça central da campanha — encarregado de costurar votos onde o sobrenome da noiva já não abriria portas sozinho. Muita responsabilidade para um noivado. Muita fé depositada em quem herdou uma missão que a própria titular do mandato não conseguiu construir ao longo dos anos.

Em Patrocínio, na percepção de quem acompanha a política local, tem coisa que não passa. A memória é uma delas. E dentro da cabine de votação, onde não tem câmera, não tem governador e não tem como pegar carona, cada eleitor decide sozinho o que vale e o que não vale.

Restaurante Guarita

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