Governo Danilo entra em rota de colisão e vê aliados abandonarem o barco em meio a crise institucional
Demissão na Saúde, saída do ex-procurador, abertura de CPI na Câmara e desgaste acumulado aprofundam isolamento do prefeito de Três Marias, que enfrenta perda de sustentação política e pressão crescente
O governo do prefeito Danilo Barbosa Rezende atravessa o momento mais delicado desde o início do mandato em Três Marias, no Centro-Oeste de Minas. Pressionado por denúncias formalizadas, alvo de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, sob escrutínio do Ministério Público de Minas Gerais e agora desfalcado de um secretário estratégico, o Executivo municipal opera em ambiente de isolamento político e instabilidade institucional.
A sequência de fatos recentes ampliou a percepção, entre vereadores, lideranças locais e parte expressiva da opinião pública, de que a gestão entrou em rota de desgaste acelerado. Nos bastidores, aliados evitam exposição, enquanto adversários falam abertamente em “esgotamento político” e “governo sem margem de manobra”.
Eleição apertada e base frágil
Danilo Rezende assumiu o comando do município após vencer uma eleição marcada por equilíbrio extremo: a diferença entre os dois primeiros colocados ficou em pouco mais de 800 votos. O resultado já indicava uma cidade dividida e um mandato que exigiria articulação política constante para se sustentar.
Esse capital político restrito, segundo analistas locais, ajuda a explicar a rapidez com que a crise ganhou corpo quando as denúncias vieram a público. Sem uma base sólida na Câmara e com dificuldade de recomposição, o Executivo passou a enfrentar resistência aberta no Legislativo.
Denúncias ganham forma e saem do bastidor
O ponto de inflexão ocorreu com a formalização de denúncias pelo ex-procurador do município, Bruno Rafael Souza, desligado da função após, segundo ele próprio declarou, discordar da condução administrativa do governo. O material, protocolado oficialmente, reúne 16 páginas e passou por leitura integral em plenário.
O conteúdo das denúncias motivou reação imediata dos vereadores. Por unanimidade, a Câmara aprovou a abertura de uma CPI para investigar atos do Executivo, rompendo qualquer tentativa de tratar o episódio como disputa política circunstancial.
CPI escancara fragilidade do Executivo
A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito marcou uma mudança de patamar na crise. Ao aderir de forma unânime à investigação, os vereadores sinalizaram que o governo perdeu capacidade de articulação mínima para conter danos institucionais.
Parlamentares ouvidos reservadamente afirmam que o ambiente na Câmara deixou de ser apenas de fiscalização rotineira e passou a ser de confronto institucional. Para eles, a CPI representa não apenas um instrumento investigativo, mas um termômetro da deterioração da relação entre os Poderes.
MPMG amplia cerco institucional
Paralelamente à CPI, o Ministério Público de Minas Gerais intensificou a atuação sobre atos da atual gestão. Segundo informações que circulam nos meios jurídicos e políticos da cidade, tramitam cerca de 40 procedimentos, investigações e ações envolvendo a administração municipal.
Embora cada caso tenha tramitação própria e ainda esteja em fase de apuração, o volume chama atenção e reforça a percepção de vigilância permanente sobre o Executivo. Fontes do meio jurídico avaliam que o acúmulo de frentes investigativas reduz drasticamente a capacidade de reação política do governo.
Saída do secretário de Saúde aprofunda crise
O pedido de demissão do secretário municipal de Saúde, Milton Geraldo, funcionou como novo abalo no núcleo da gestão. A pasta é considerada estratégica tanto pelo volume de recursos quanto pelo impacto direto na população, e sua instabilidade costuma gerar forte repercussão política.
A saída ocorre em meio ao agravamento da crise institucional e é interpretada, por aliados e opositores, como sinal de desgaste interno. Embora não haja acusação formal contra o ex-secretário, o movimento reforçou a narrativa de esvaziamento do governo e de dificuldade para manter quadros no primeiro escalão.
Governo acuado e horizonte encurtado
Com CPI em andamento, investigações no Ministério Público, desgaste público crescente e perda de apoio político, o governo Danilo Rezende passa a atuar sob lógica defensiva. Decisões são adiadas, agendas são reduzidas e a comunicação oficial adota tom cauteloso.
Especialistas em política municipal avaliam que, mesmo sem qualquer condenação judicial até o momento, o governo enfrenta um problema clássico: quando a crise se prolonga e se acumula, o custo político passa a ser independente do desfecho jurídico.
Pressão pública e expectativa de desfecho
Nas ruas e nas redes sociais, a crise já extrapolou o debate técnico. Parte da população cobra respostas rápidas, enquanto outra acompanha com expectativa os desdobramentos da CPI e das apurações do Ministério Público.
Para observadores mais cautelosos, o cenário ainda é aberto e depende das conclusões formais das investigações. Para os mais críticos, o governo entrou em um processo irreversível de desgaste, no qual cada novo fato reduz as chances de recuperação política.
O que antes parecia uma gestão em início de mandato agora opera sob a sombra permanente da instabilidade. Em Três Marias, a pergunta deixou de ser “se haverá consequências” e passou a ser “quando e em que medida elas virão”.





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