Deputada Maria Clara enfrenta críticas após voto que limita consulta popular sobre venda da Copasa
Parlamentar é cobrada por restringir, no primeiro turno, o direito do eleitor decidir sobre privatizações; votação de madrugada amplia desgaste e reacende debate sobre participação social e risco de decisões unilaterais sobre serviços essenciais, como o DAE de Patrocínio, caso a mesma lógica fosse aplicada no município.

A atuação da deputada estadual Maria Clara Marra voltou ao centro das críticas após ser divulgado um vídeo questionando seu voto favorável à PEC 24, que retira da população o direito de participar por referendo da decisão sobre a venda da Copasa e da Cemig.
“PEC do cala boca”
A PEC que Maria Clara Marra ajudou a aprovar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é uma das prioridades do governador Romeu Zema (Novo). Conhecida como “PEC do Cala a Boca”, ela elimina a obrigatoriedade de consulta popular antes da privatização da Copasa. A proposta chegou a incluir outras estatais, como a Cemig, mas foi reduzida apenas à companhia de água e saneamento.
O tema ganhou força nas redes sociais ao comparar a postura da parlamentar com uma hipotética situação em Patrocínio: se fosse prefeita, poderia decidir sozinha vender o Departamento de Água e Esgoto (DAEPA) sem consultar quem paga a conta em dia.
Segundo críticos, o voto da deputada abre um precedente perigoso ao afastar a sociedade de decisões estratégicas que afetam diretamente o cotidiano dos mineiros. A Constituição mineira prevê que mudanças dessa natureza só podem ocorrer com a autorização de 48 deputados e posterior consulta nas urnas. A PEC, apoiada por Maria Clara no primeiro turno, altera essa lógica ao dispensar a manifestação popular.
O desgaste aumentou com a própria dinâmica da votação. A sessão ocorreu às 4h30 da madrugada, fato que alimentou percepções de falta de transparência e tentativa de minimizar reações contrárias. Para opositores, o horário atípico reforçou a sensação de que o tema foi conduzido de forma distante do debate público.
A deputada ainda terá uma nova oportunidade de rever seu posicionamento no segundo turno, mas enfrenta crescente pressão para que altere o voto. Grupos locais e estaduais afirmam que a parlamentar, eleita com forte base em Patrocínio, precisa se alinhar aos interesses da população e não aos de governos ou investidores.
As críticas destacam que a defesa da participação popular não é mera formalidade jurídica, mas um mecanismo que protege o patrimônio público e impede decisões tomadas sem consenso social.
Ao apoiar a proposta que reduz essa participação, Maria Clara passou a ser vista como aliada de projetos de privatização conduzidos sem diálogo amplo, o que alimenta a insatisfação entre eleitores e lideranças regionais.
Interlocutores da base municipal afirmam que o episódio representa um divisor de águas na percepção política da parlamentar. Para eles, o voto da deputada reafirma um distanciamento crescente entre o discurso de campanha e a prática legislativa, sobretudo em temas de impacto direto na vida do cidadão comum.





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