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A BR-365 virou cemitério: quantas mortes ainda serão necessárias para alguém agir?

Explosão, fogo e dois corpos carbonizados escancaram o abandono de uma rodovia estratégica e expõem a duplicação como promessa vazia repetida a cada eleição

Mais duas pessoas morreram neste sábado (24) na BR-365. Morreram queimadas, após uma colisão frontal entre dois caminhões que terminou em explosão e incêndio, no trecho entre Patos de Minas e Guimarânia. A rodovia foi interditada, o trânsito parou, os bombeiros apagaram o fogo. O roteiro é conhecido. O desfecho, também.

Não se trata de um acidente isolado. Trata-se de mais um capítulo de uma tragédia anunciada, escrita há anos sob os olhos de autoridades que prometem, discursam, gravam vídeos e seguem inertes. A BR-365 é um dos principais corredores logísticos de Minas Gerais, vital para o agronegócio, para o transporte de cargas e para a circulação de trabalhadores. Mesmo assim, permanece estreita, perigosa e incompatível com o volume de veículos que recebe diariamente.

A duplicação da rodovia virou slogan eleitoral. Aparece em campanha, some depois da posse. Enquanto isso, o asfalto segue matando. Quantos outdoors já anunciaram obras que nunca começaram? Quantas audiências públicas terminaram sem cronograma, sem orçamento, sem uma máquina sequer no trecho? Quantas vidas ainda vão ser tratadas como estatística?

O acidente deste sábado aconteceu próximo ao km 426, nas imediações do Restaurante Quiosque e da empresa Produtiva Agrícola. Uma das cabines explodiu logo após a batida. As equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal fizeram o que sempre fazem: conter o incêndio, isolar a área, liberar a pista. O que ninguém faz é impedir que a próxima tragédia aconteça.

A população sabe que a pergunta central não é “como foi o acidente”, mas “por que nada muda”. Quem é o responsável direto pela duplicação? O governo federal? O estadual? A concessionária? Os parlamentares que pedem votos na região? Todos apontam para todos. No fim, ninguém responde por nada.

A BR-365 não precisa de mais notas de pesar. Precisa de obra. Precisa de decisão política. Precisa sair do palanque e ir para o chão. Até quando a duplicação será apenas discurso conveniente, enquanto famílias enterram seus mortos e motoristas seguem apostando a própria vida a cada viagem?

O silêncio institucional diante dessas mortes não é neutro. Ele também mata.

Restaurante Guarita

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